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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Por que a forma de nascer é importante

Os Aztecas, alguns séculos atrás, antes da invasão espanhola no que hoje se chama México, costumavam pegar seus bebês assim que saiam do ventre materno e mergulhá-los em água gelada. Se sobreviviam queria dizer que estava aptos à vida na Terra, se não tchau.

Um povo guerreiro tinha que testar seus membros desde o primeiro minuto de vida. Era uma questão de continuidade de sua civilização. Seu objetivo era ter cidadãos fortes e resistentes, de modo que agiam coerentemente com suas expectativas e necessidades sociais.

Nossa sensibilidade moderna nos proíbe sequer demorar sobre um pensamento desses. Os Aztecas nos parecem bárbaros e brutos. Vejamos então como é um nascimento hoje.

Uma mulher está grávida, se por opção ou não não faz diferença. E aqui já começa um pequeno problema. As mulheres aztecas provavelmente não tinham muita escolha e talvez nem cogitavam ter outras ocupações fora a casa, a família e as redondezas. Mas suas irmãs modernas sim. Portanto, para uma mulher hoje engravidar sem querer é um fardo que pode ser absorvido em sua vida, dependendo do parceiro, da família, das condições econômicas, de seu momento profissional, ou pode permanecer uma cruz que ela deverá carregar. Um pouco de psicologia já é suficiente para saber que uma maternidade assim começada não é um bom sinal. Se é verdade que os bebês são gostosinhos e encantadores, é também real a drástica mudança e o sacrifício radical que eles demandam, às mulheres, sobretudo (e, às vezes, unicamente).

A gravidez então prossegue. A mulher começa um pré-natal – particular ou público. Encontra um médico obstetra ou uma parteira (no Brasil são as enfermeiras obstetras, pouquíssimas atendem de fato partos, apesar de serem formadas para isso). Os meses transcorrem aparentemente tranquilos (numa gravidez de baixo risco, ou seja em 90% dos casos), mas na verdade muitas das dúvidas e medos e curiosidades da mulher não foram esclarecidas porque uma vez posto o pé no consultório médico bate aquela insegurança que nos faz sentir tão sem graça se indagarmos, perguntarmos, duvidarmos. Então ficamos quietas; afinal, eles “sabem”.

O parto se aproxima e a nossa ansiedade cresce. Recorremos a amigas, parentes, vizinhas. Novelas e filmes nos confirmam as imagens inquietantes que já adquirimos. Parto dói. E o desconhecido dói mais ainda. Quando ousamos avançar alguma pergunta ao médico ele dá respostas vagas: vamos ver na hora do parto com vai ser; não se preocupe, tem a anestesia; esses medos são normais, mas vai ver que vai dar tudo certo; deixe comigo, tenho uma prática de 30 anos... e etc. Ela sai do consultório de mãos vazias e na mesma.

Quando chegam as primeiras dores, pega de surpresa, corre para o hospital. É posta numa cadeira de rodas (quando até o dia anterior o mercado e seu patrão exigiam que ela trabalhasse porque “gravidez não é doença”). Seu marido fica preso na entrada preeenchendo papeis enquanto ela é levada para um quarto, onde, após ter sido despida de todo e qualquer objeto pessoal (que a identifica como Maria, Sandra ou Marcela) é posta numa cama, enfiado um “soro” (ocitocina sintética) em sua veia e amarrada uma cinta em volta de sua barriga (monitor fetal). E deixada lá.

As dores vão se intensificar cada vez mais, ela vai se assustar. Não entende. Nem seu corpo entende esse bater insistente das contrações rápidas que não deixam tempo para pegar fôlego. De vez em quando entra uma enfermeira, controla o gotejar do soro, dá umas mexidas, faz um toque para conferir a dilatação, observa o gráfico exibido num monitor ao lado, dá uma olhada na mulher para conferir se respira e vai embora.

A dor se torna insuportável. Os quadris e as costas doem (deitada de costas é a pior e mais dolorosa posição para dar à luz), a barriga fica dura, parece que vai explodir, a cama é insuportavelmente desconfortável, mas ela está lá amarrada. E só. Começa a gritar. Na sua cabeça voltam as imagens de novelas e os relatos mórbido de conhecidas: sim o parto é insuportável. Quero a anestesia!

A porta se abre, entra gente com cara assustada. Agitação em volta. Anestesista chegando. Ela senta, preparam suas costas, a agulha entre em sua espinha dorsal e ela.... relaxa.... Maravilha. A dor passou. Já não sente mais nada. Na verdade não sente mais o parto, assim como o resto de seu corpo da cintura para baixo.

É levada para a sala parto, que é uma sala cirúrgica. Quando chega a hora do expulsivo, ela semireclinada não consegue fazer força, já não sabe mais onde fica a parte de baixo de seu corpo. Um gentil senhor profissional de saúde então se aproxima e usando seu antebraço como um rolo amassa sua barriga, do estômago para o pubis (Manobra de Kristeller). O bumbum apoiado na cama em relação com o osso sacro produzem uma leve subida de modo que o bebê para sair deve primeiro subir (só para complicar-lhe a vida) e o corte (episiotomia) é realizado, um corte diagonal profundo que pega o músculo do períneo.

Duas mãos enluvadas agarram a cabeça do bebê e o passam para outro par de mãos enluvadas que o apoiam sobre uma mesa. O ar condicionado está gelado, o bebê saiu de uma temperatura de pelo menos 35 graus, no escuro e no aconchego seguro do ventre de sua mãe. Seu corpo esteve escorado pelo dela por meses. Agora está “ao ar livre”, no frio, sem apoios, solto. Chora, porque está com medo, sente desconforto e ansiedade. Os profissionais de saúde olham e enxergam um bebê vivo e que está bem. Ele é mostrado à mãe, enrolado em anônimos panos verde porque está frio. Nada de quentinho contato pele-a-pele. É levado para o berçário e lá fica por um tempo interminável. Ele chora. Ninguém atende. Se atendem lhe é dada uma chuquinha de glicósio para que se acalme. Finalmente dorme, exausto e só. Nada de peito, de cheiro da mãe, de calor da mãe, de olhos da mãe.

Ele já teve sorte porque até poucos anos atrás, as mãos que primeiro o agarravam também o soltavam pelo ar segurado pelos tornozelos e sua coluna até então enroladinha se esticava repentinamente provocando um choque que o fazia chorar. O médico ficava satisfeito, o bebê estava vivo. Se feliz também não sei.

Quando o parto é cesárea, a mãe deitada numa maca estreita tem os braços amarrados, como numa cruz, e o contato com o bebê é ainda mais distante e demorado.

Frédérick Leboyer, médico obstetra, foi um dos primeiros a sacudir a pia convicção de que o nascimento padrão era uma experiência positiva para o bebê. Ele é o autor de: “O bebê sorrindo”, ou na versão original (em francês): Nascer sem violência.

Nas últimas décadas chegou-se à certeza de que o bebê sente! Aliás, sua sensibilidade está à flor da pele, ainda não adquiriu o cascão de insensibilidade que permeia tantos adultos. O psquisismo intra-uterino do feto recebe os inputs do mundo externo e sobretudo daquele interno da mãe. O medo e as angústias dela chegam até ele. Por que haveria de ser diferente?

O que descrevemos é o parto moderno, ou seja “medicalizado”. Parto como doença, como um problema que o médico resolve, como um estorvo que se precisa remediar. Esqueceu-se que o parto é um processo fisiológico, o que significa que o corpo feminino está apto para dar à luz. Nasceu competente e capacitado. Os cursos de preparação para o parto só existem para reelembrar a mulher do que ela já sabe e pode fazer. E nesse sentido são indispensáveis.

O parto é conduzido por uma série de hormônios sensíveis às condições ambientais e emocionais da mulher (são produzidos se ela estiver bem, confiante, sentir-se acolhida e protegida num local seguro). O principal hormônio responsável pelo parto se chama ocitocina. Seu apelido é “hormônio do amor” porque ele está presente em todas as nossas relações prazerosas, como sexo, parto, refeições partilhadas, amamentação. A ocitocina faz as contrações acontecerem e sua produção alcança o pique máximo (que nunca mais será repetido na vida da mulher) logo após o nascimento, quando bebê e mãe deveriam estar em contato íntimo se reconhecendo e vendo pela primeira vez. Não a caso, em partos domiciliares naturais o pós-parto é eufórico. A mulher está pronta, atenta, bem. Levanta, toma banho e faz comida. Este estado pode durar dias. Eu mesma, três dias depois do nascimento de minha filha, queria repetir a dose.

A ocitocina sintética, gotejada na veia da mulher durante o trabalho de parto, acelera as contrações mas não tem as mesmas consequências comportamentais daquela natural. Ela não promove o vínculo. As endorfinas não são liberadas. Com a intensificação artificial das contrações a anestesia se torna uma rotina inevitável, pois o relaxamente entre uma e outra, que no parto natural permite ao útero e às emoções se recuperarem, agora é curto demais. A ocitocina artificial é como uma manada de búfalos carregando para cima da gente.

A anestesia é um recurso muito usado hoje em dia em todos os campos da medicina. A vantagem é que a dor passa. Mas, pela anestesia, perdemos qualquer tipo de controle sobre o nosso corpo e não vamos saber o que acontece conosco. Mesmo a manobra mais desajeitada do profissional mais incompente vai passar despercebida. No parto, a anestesia elimina a mulher como sujeito ativo do parto e reafirma o parto como um evento médico. É o médico que “faz” o parto, não ela. Existem hoje em dia médicos obstetras e anestesistas que conciliam o alívio artificial da dor com o ativismo da mulher, dando combinações analgésicas em doses que permitem andar e fazer força. Mas isso ainda não é comum.

A ausência da participação materna no nascimento é problemática. Experimentos com ovelhas mostraram que quando à mãe dá à luz com uso de anestesia, ela não reconhece seu filhote e o desconsidera. A isso se deve acrescentar que o bebê nasce drogado em total oposição ao sentido do nascimento que é um ato heróico: um novo ser vem ao mundo com esforço e em parceria com sua mãe (trabalho de parto). Este processo, além de limpar suas vias respiratórias (evitando que tubos no nariz e na garganta lhe sejam enfiados logo em seguida), permite-lhe expressar sua dignidade e valor. Ele pode. Ele é.

O começo da vida sempre foi e ainda é um rito de passagem. Qual é o sentido dos ritos modernos do nascimento? Mulheres passivas e assustadas, desenraizadas da centenária sabedoria feminina do dar à luz (e amamentar), nas mãos de médicos assépticos, distantes, educados, sorridentes e frios. Bebês impedidos de entrarem nesse mundo seguindo seu tempos e rítmos (cesáreas eletivas sem trabalho de parto, indução de parto), e manipulados como objetos, delicados mas sempre objetos. Mulheres e bebês começam respectivamente a maternidade e a vida pela amputação de sua força e coragem. São impedidos de afirmarem-se como subjeitos autônomos, individuais, únicos e competentes. O que se encaixa perfeitamente numa perspectiva de vida de seguidores e não de autores. Não sóis que ilmuninam seus próprios caminhos e contribuem para o aclaramento do que está à sua volta, mas pequenas luas que refletem a luz de fora.


Adriana Tanese Nogueira é filósofa, psicoterapeuta e escritora. Formada em Filosofia (Milão, Itália), e Psicologia Pós-Junguiana (linha Silvia Montefoschi, Milão, Itália) e Mestre em Ciências da Religião (Puc/SP), é idealizadora e coordenadora da ONG Amigas do Parto.

Artigo publicado no Jornal AcheiUsa, ano 8, n. 215 e 216 de Out.-Nov. 2008

sábado, 20 de novembro de 2010

O meu parto Humanizado


Não sou espert nisso, nem  tenho tanto conhecimento também, o pouco que eu sei foi o que me fortaleceu para ir atrás de um médico que me proporcionasse isso, e claro queria a humanização para meu filho também com isso entra o pediatra dele se não for o mais é um dos mais humanizados em São Paulo.
Sempre li nas minhas pesquisas e buscas por um parto sem traumas, sem dores emocionais, sem intervenções medicas, sem ordens dos “Deuses de branco” denominados Obstetra, sim deuses é o que uma boa parte acha que é, que acha que o corpo da mulher é um local onde ele pode entrar e sair com suas cirurgias simplesmente para não atrapalhar suas agendas sociais, ou até mesmo para taxar a mulher brasileira de ineficiente quando o assunto é parto vaginal, digo vaginal porque normal soa estranho, pois para mim é muito difícil classificar o normal e o anormal.
Meu objetivo era achar um medico que me falasse apenas uma vez, vamos para a cesárea pois o caso é grave e a intervenção cirúrgica nesse caso é necessário, eu iria sem respirar, pois confiaria nesse medico, e não um médico que com 20 semanas de gestação fala na consulta que estou engordando muito, desta forma será difícil ter um parto normal, como que se Deus colocasse no mundo crianças que pode ser via parto normal e crianças que podem ser via cesárea por serem grades (aaffãooo), o parto esta na opção da mãe e do medico na maiora das vezes e não no tamanho do bebe.
No meu caso eu queria um obstetra para assistir meu parto e não para intervir nele sem necessidade ou emergencia, e na realidade é dificil achar um medico que assista viu, eles querem mesmo é por a mão na massa literalmente, não é facil achar um medico que saiba fazer (assistir) um parto vaginal.
Após buscas e indicações  a minha obstetra apareceu, na semana do natal de 2009, só pelo fato dela me atender a 3 dias do Natal eu tive a certeza que teria o parto dos sonhos, vi que ela era uma pessoa que o que importava para ela era suas pacientes e não as festas de finais de ano.
Não estou aqui para julgar ou taxar ninguém, como já disse na minha apresentação esse blog é meu,  para eu falar o que acho, o que sinto e o que vivo.
Achei minha obstetra que de cara me deixou falar por quase uma hora sobre sonhos, desejos, medos e o que eu buscava em uma médica, ai depois ela falou como trabalhava e como agia, confesso que na hora achei que não teria grana para pagar os seus serviços (sim tive que pagar pois mesmo tendo um ótimo convenio, não achei medico capaz de fazer o parto humanizado), mas vendo pelo custo beneficio, posso dizer que paguei mixaria, foram 4 meses de acompanhamento pré-natais, confesso que o próximo será os 9 meses rsrsrs,. Pois posso até ter duvidas se vou ter outro filho, mas a medica que vai cuidar da gente isso não tem duvida alguma, será a mesma doutora, mulher e humana.
Voltando ao assunto da humanização,  foi para isso que vim aqui hoje rsrsrs...
Tive um parto totalmente humanizado, onde eu falava o que eu queria, onde queria ficar, eu bebi  água, só não comi porque confesso que não agüentava de tanta concentração, não fiz nada de jejum, na hora da expulsão eu ditava as regras e não tinha medico algum mandando eu fazer força ou dizendo que não tinha passagem e iria me cortar( a famosa epsiotomia) para adiantar o parto, não tive que tomar  nenhum remédio para acelerar o parto, mas por livre vontade imbecil, tomei analgesia que só me ajudou a ter uma dor na coluna até hoje após quase 8 meses do parto, e de brinde ganhei dois pontos internos na laceração pois tive que parir deitada, e fora que a analgesia começou a desacelerar meu trabalho de parto, confesso que se tivesse tomando ela com menos dilatação teria ido para uma cesárea de emergência,, pois na hora da expulsão não me ajudou em nada graças a Deus pelo menos senti meu filho nascer, o meu filho nasceu na hora dele, na hora que ele quis,  tanto que dei entrada no hospital as 12:40 com dilatação total,  meu BB só nasceu as 17:17, pois não queria intervenções alguma e a minha obstetra também não iria fazer nada que eu não pedisse, queria somente que as coisas acontecessem da forma mais natural e segura possível.
Enfim filho nascido, mamãe e papai presentes, papai cortando cordão, dando banho, filho pesado, mamãe amamentando, tudo perfeito.
 Hoje me perguntam do que adianta um parto igual ao seu se a dor é a mesma, eu digo: senti dor sim claro que senti, o parto foi humanizado e não indolor,  mas é algo  humano, é deixado a gestante se expressar, gritar, gemer de dor sem censura, sem piadinhas, sem desrespeito, sem a famosas frase na hora de fazer não foi bom porque agora esta gritando?, sem bloqueios, SEM TRAUMAS, foi dolorido mas eu nem lembro mais da dor, pois as dores foram fisiológicas e não psicológicas, essas sim não apagam, o parto humanizado deveria ser direito de todos e não somente de quem pode pagar, confesso que conheço pessoas que tiveram parto normal que não querem outro parto nem por decreto, conheço pessoas que tiveram o primeiro filho por parto  normal e o segundo cesárea, tudo porque no seu primeiro parto foram  humilhadas, judiadas, deixadas de lado sofrendo na hora em que mais precisava de apoio, do pai da criança ou de qualquer acompanhante para lhe passar segurança e que lhe foi negado esse direito.
Sou a favor da humanização do parto não importa as formas de vir ao mundo o que importa é o respeito a mãe a família e principalmente ao bebe que esta chegando nessa terra.
Quanto os benefícios da cesárea X parto normal isso é tema para outro futuro post.

Bjos

Sara Rodrigues